Culpado ou Inocente

Luis Cesar Pereira

Terapeuta Transpessoal

Quem é que já não passou por uma situação de culpa?

Não só quando nos sentimos culpados, mas também quando apontamos a culpa a alguém?

Culpa… Que palavrinha curta e estranha, mas que nos arrebata e nos leva por muitas vezes às portas de um inferno particular.

Bem, se eu estou falando sobre culpa, você já sabe que eu estou no banco dos réus!

E, pior, eu mesmo me coloquei lá.

Portanto, não foi difícil concluir o resto.

Já me declarei réu confesso: Culpado!

Culpado de coisas que eu nem sei direito, mas que deve ser culpa minha.

Culpado por destruir o planeta, culpado por não ter visto que o vizinho me deu um olá, culpado por querer mais conforto enquanto o mundo guerreia entre si.

O simples fato de eu estar vivo já contribui para a morte de milhões de microrganismos que eu piso e elimino todo dia. Sou culpado disto também.

Culpado de comer demais, de dormir demais, de não querer telefonar para a minha mãe, muito menos passar lá em sua casa no domingo.

Culpado de não ter sobressaído o suficiente no trabalho, de não estar fazendo minha ginástica como eu queria. Culpado de assistir TV à noite enquanto eu deveria dar mais atenção para meus filhos.

Culpas, culpas e mais culpas.

Mas para que serve a culpa? Afinal de contas, nós nos acostumamos a ela e damos um jeito de conviver com ela.

Em princípio ela nos dá um aperto no peito com a intenção de mudarmos.

Mas nós somos malandros, aprendemos a empurrá-la com a barriga!

E a culpa só existe na moralidade. Então, o que fazer? Sermos imorais?

Não, nada disto!

Mas podemos questionar estas morais, ou seja, ver até que ponto elas protegem ou não os nossos interesses, nossas famílias e principalmente, a cada um de nós.

Podemos colocar nossa atenção na integridade individual.

E veja como a mente é sem vergonha, como eu disse! Minha própria mente já veio com um discurso de que, se eu me basear nesta integridade individual de se fazer o que eu quiser conforme minha moral, então eu estaria aprovando, por exemplo, o nazista, onde não havia culpa no extermínio em massa de seres humanos.

Calma mente, vamos com calma… Integridade individual pode ser ótimo e funcionar bem desde que seja bom para mim sem que haja prejuízo ao próximo.

Pronto!

Esta é uma ideia que eu queria deixar esta semana como um exercício para que fosse refletido.

Observar cada situação onde sentimos algum tipo de culpa. Apenas observar.

Não questionar. Não confrontar. Não querer entender de onde ela veio.

Observação.

Isto nos levará a uma lucidez maior sobre o assunto. E se tem uma coisa que eu descobri, é que a culpa é alérgica a lucidez.

Experimente se você quiser. Vamos lá, tente… Mas tente sem culpa, ok!

Um beijo totalmente sem culpa e sem vergonha.

De qualquer forma, se precisar, estou aqui, prontamente para atendê-lo em meu consultório ou simplesmente a sua espera para um delicioso café.

Beijos no coração.