Dá um pânico, não dá?

De repente é essa obsessão de ter que ser certinho.

Em todo lado tem um monte dedo prestes a ficar em riste na sua direção.

Você tem que ter o post mais curtido e comentado do face, tem que ter respostas imediatas no whats, tem que ser inteligente no grupo e, ainda, ter compaixão, gratidão, dar esmola na rua, a comida que sobrou do almoço tem que dar pro pedinte no sinal, tem que ser magro, ir pra academia… epa… mas quem está assoprando tudo isso nos seus ouvidos?

É sua cabeça ou o seu coração?  É você ou o seu ego? Você, seu ego ou as pessoas à sua volta, pelo menos a mais importante pra você.

Gente… é muita cobrança. Em alguns momentos vem até aquela ideia de que estamos nos despersonalizando, seja para nos adequarmos ao emprego, ao relacionamento ou à nossa roda de amigos, que está cada vez mais antenada, exigente e, em nome da amizade, cada vez mais fria, pragmática e, em certos momentos, até cruel.

Cobra-se de um lado, mas muita gente esquece uma porção de outras coisas de outro. Coisas que, na real mesmo, são as que realmente importam, as que de fato fazem falta em todos os lugares – todos – nos dias de hoje e que, de alguma forma, acabam por justificar essas cobranças.

Se eu não tenho posso cobrar, quer dizer, faço a crítica do ciúmes e do romantismo botando o dedo na ferida porque sou uma pessoa solitária, invejosa, que me acho incapaz. Mas isso não aparece no discurso, o que aparece é que eu sou uma pessoa imparcial, equilibrada, de bom senso, que penso muito antes de falar ou agir. Que tenho conhecimento de causa, sou seguro, independente, que são sofro por essas bobagens.

Mas será que no fundo isso não é um truque para acobertar muitos gaps na nossa vida?

É fácil falar, não é?

Aí vêm as críticas: olha, não precisa mais abrir a porta do carro pra namorada porque vocês já estão juntos e ainda tem o perigo, enquanto você dá a volta no carro, de ser assaltado.

Olha, também não precisa mais deixar bilhetinho perto da pasta de dentes, não precisa mais tratar quem você ama por amor… vamos lá, a vida é mais rápida, não precisamos mais de tudo isso, coisa antiquada, babaca, melosa…

E com isso vamos perdendo o romantismo, a poesia, o olhar doce e o beijo de carinho. E quando a vida vira um deserto, fomos nós mesmos, com todo esse pragmatismo que virou a nossa vida, que escolhemos.

A quem, então, ouvimos?

Amar é lindo, mas faz sofrer. Se dedicar ao trabalho é bom, mas nos sentimos sempre injustiçados. Comer aquele docinho no meio da tarde deixa a vida mais feliz, mas a balança mais pesada.

Somos tão culpados assim por sermos assim?

Seguir o coração ou a razão? Pra mim não tem um ou outro. Não tem ego, não tem eu, não tem você, não tem a sociedade, o grupo… Somos sempre nós. No fundo e na verdade, nós escolhemos as penas em que vivemos. E colhemos os frutos que plantamos.