tempo-de-despertar-libertacaoLibertação e reencontro

Jorge Medauar

Uma amiga me escreveu: “…felicidade contida. Processo de libertação e reencontro”.

Resolvi refletir sobre isso, escrevendo, para analisar melhor o meu pensamento à respeito.

Mas quero compartilhar essa reflexão com você para entender, de fato, o que ela quis dizer, sob vários pontos de vista.

Começando pelo começo, libertação pode ser do medo, da história, de sentimentos, frustrações, raiva, prisões.

Reencontro, pode ser com a origem, a paz, um lugar, uma pessoa, com o amor, até com o crime, a vida mundana, por exemplo. Afinal, nem todo encontro ou reencontro é com o bem.

No entanto, tudo isso desemboca num único ponto, ou seja, tem um ponto em comum, convergente: você.

Você e sua histórias, seus medos, seus amores e tais.

Uma libertação do que somos e um reencontro com o que queremos ser?

Uma libertação do que não somos e um reencontro com o que não queremos mais ser?

A verdade é que este é um processo que só quem vive pode saber o que na real acontece.

De fora cada um vê de um jeito, segundo a sua própria experiência de vida.

Para uns, uma explosão cósmica. Para outros, um momento de profunda depressão. Abandono, rejeição.

De verdade, jamais será sentido por ninguém e todo debate à respeito será sempre à luz da frieza da razão, esta que vive tentando buscar uma explicação lógica para tudo.

Na minha visão, em ambos os processos – libertação e reencontro – seja quem for que esteja passando ou buscando isso, sente uma profunda necessidade – e quem está fora é a única coisa que poderá oferecer se for convocado a participar da experiência – é de amor. Que, na prática, se é que há uma prática para entendermos o que, no caso, chamamos de amor, quer dizer: acolhimento, proteção, abraço, cabeça repousada no peito, atenção, presença, cuidado, folga, espaço, liberdade, tempo, mas também firmeza, segurança, presença.

Então pra mim, em resumo, libertação e reencontro é, em essência, busca e necessidade de amor, de carinho, afeto, acolhimento.

tempo-de-despertar-libertacaoO que a felicidade tem com isso?

Por outro lado, quando comecei a fazer essa reflexão pensei  também em como ligar libertação e reencontro com a felicidade.

Motivação, entusiasmo, foco, são algumas atitudes impulsionadas pelo estado de bem-estar experimentado no copo da felicidade.

Do mesmo modo,  qual o seu entusiasmo, o que te motiva a buscar o que buscas no momento?

Foco, determinação, uma obstinada luta pela verdade. Desde o básico “quem sou eu” até o “por que?”.

A busca é sempre pelo óbvio.

Sem nem saber se ainda estou no começo, no meio ou no final do texto, volto à liga da felicidade.

Seria óbvio demais dizer que, no fim, a busca é sempre essa. Afinal, felicidade não seria, por acaso, a própria libertação e o próprio (re)encontro?

De um lado, a liberdade de ser o que se é no aqui e agora. Sem passado, nem futuro. Aqui. O momento exato. Este instante. Liberdade de pensar, de sonhar, de partir, de ficar.

De outro, a inquietude em encontrar o que há em si mesmo, seja o que  for. Porque seja o que for, será sempre o que é e o que tem que ser. E será sempre um e o mesmo: (você).

Liberto ou perdido, preso ou encontrado.

Dando um passo à frente, este que agora busca respostas, luz, iluminação, busca ser a borboleta ao invés da lagarta? Busca a flor ao invés do botão?

Tudo isso será novo a partir da liberdade e do encontro?

E depois? Onde tudo isso vai dar? Será que vale mesmo viver essa experiência, fazer essa travessia? Começar tudo de novo? Resignificando tudo? Sentimentos, verdades, dogmas, valores?

Aqui cabe mais uma reflexão.

Estamos sempre nos libertando e nos encontrando

Até aqui apenas elucubrei, como qualquer um de fora faria. Mesmo assim, ao pensar em buscas, renovação, resignificados, enfim,  foi quase como sentir o que talvez minha amiga estivesse sentindo por trás dessa luta corajosa, mas legítima. E necessária, por que não?

Mas o que de falto passa em seu coração, nem mesmo perguntando. Para sentir tem que viver. Quem vive é que sente.

O que você pensa à respeito? Há alguma busca de libertação e reencontro na sua vida?